Domenico Cimarosa

A história da música clássica europeia nos mostra alguns mundos bem distintos: o mundo da música de concerto, o mundo da música religiosa, o mundo da ópera.

Vejam só: há compositores que nunca escreveram uma ópera sequer. J.S. Bach, por exemplo, foi um deles, e dedicou-se principalmente à música religiosa. J. Brahms escreveu música de concerto, sinfônica e de câmara. E como Bach, nenhuma ópera.

Por outro lado, há muitos compositores, principalmente italianos, que se dedicaram quase que exclusivamente à ópera. E, alguns desses compositores produziram obras de concerto interessantes, mas que foram ofuscadas pelo brilho do repertório operístico.

Notável

O compositor que eu escolhi para falar hoje é o italiano Domenico Cimarosa. Seu nome não é tão conhecido atualmente, mas apesar disso eu lhe asseguro, caro leitor: ele foi um dos mais notáveis compositores operísticos de todos os tempos.

Stendhal, o grande escritor francês, autor de obras célebres como “O Vermelho e o Negro” e a “Cartuxa de Parma”, era também um grande admirador de ópera, e escreveu muitos elogios entusiasmados em relação à música de Cimarosa. Segundo Stendhal, o compositor italiano era “supremo em obter um perfeito equilíbrio entre verve cômica, paixão, força e alegria.”

Depois da ópera, a sonata para instrumentos de teclas – fortepiano ou cravo – foi o gênero ao qual o compositor mais de dedicou – escreveu cerca de 80 peças do tipo.

Sonata para piano no. de catálogo R.12

“Frankenstein Musical”

Muitos que não conhecem a música de Cimarosa, mas conhecem a música de J. Haydn e Mozart podem notar aí alguma semelhança de estilo. Foram realmente compositores contemporâneos – Cimarosa nasceu sete anos antes de Mozart e 17 anos depois de Haydn.

Aliás, Haydn tinha a música de Cimarosa em alta conta, tendo regido pelo menos 12 de suas óperas no Castelo da família Esterhazy, entre os anos de 1783 e 1790.

Como eu disse há pouco, ele compôs dezenas de sonatas para piano ou cravo. Muitas são peças curtas de apenas um movimento, talvez feitas para servir de estudo a seus alunos.

Pois bem, em 1949 o compositor australiano Arthur Benjamin teve a ideia de agrupar quatro dessas pequenas sonatas, cuidadosamente escolhidas, e transformá-las em um concerto para oboé e orquestra de cordas.

Há entre os especialistas em música, aqueles mais austeros que se opõem a esse tipo de “Frankenstein musical”; por outro lado, procedimentos como este não eram tão incomum na época.

Além disso, o concerto fez sucesso, foi gravado muitas vezes e é sempre muito apreciado pelo público atual.

Concerto para oboé em dó maior

Uma Obra Totalmente Original

Como vimos, há no meio musical – críticos, intérpretes e amantes da música em geral – que se opõem a esse tipo de construção, que eu chamei de “Frankenstein musical”.

O motivo disso é que a música acaba soando como algo que não parece ser do próprio compositor, ou sendo mais preciso, resulta em algo que certamente o próprio compositor jamais teria feito.

Por exemplo, Cimarosa muito provavelmente jamais teria feito um concerto em quatro movimentos, começando por um movimento lento. Essa disposição remete à música barroca, que era algo superado, fora de moda na época.

Para conferir, o ideal é ouvirmos um concerto feito pelo próprio Cimarosa. E você certamente vai constatar que há uma enorme diferença entre os dois. ´´E o caso do belo Concerto para Flauta, Oboé e Orquestra, em Do maio.

Concerto para flauta e oboé em dó maior

Música de Câmara

Músicos barrocos tocando uma sonata em trio, pintura anônima do século XVIII

Além das sonatas para instrumento de teclas e os concertos, Cimarosa dedicou-se também à música de câmara, tendo escrito 2 sextetos e 6 quartetos com flauta.

Abaixo, você pode conferir um destes, o quarteto para flauta, violino, viola e violoncelo nº1, em re maior. São três belos movimentos – Allegro Spiritoso, Adagio e Rondó, dignos dos melhores compositores do classicismo, com belos temas, inteligentemente desenvolvidos.

Ouvindo essa música, não há como deixar de pensar na grande música de Mozart. Contudo, Cimarosa certamente não aprendeu com Mozart, pois era, como vimos, 7 anos mais velho que ele. Ao contrário, sabemos que Mozart, sim, conhecia bem o estilo italiano que Cimarosa aprendeu e ajudou a desenvolver.

Concerto para duas flautas e orquestra em sol maior

Espero que tenha gostado deste post!

E aqui vai uma sugestão de CD para que continue conhecendo a obra de Cimarosa!

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Saudações Musicais!

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