Inspirados por Mozart

No desenvolvimento da música artística europeia, foi sempre muito comum um compositor se inspirar em outro. Bach transcreveu para cravo e órgão concertos de Vivaldi escritos originalmente para cordas. Schumann criou acompanhamentos pianísticos para as sonatas de Bach escritas para violino solo. Britten fez variações sobre um tema de Purcell. A lista é imensa.

É interessante notar como um compositor “brinca”, no bom sentido, com as ideias musicais de outro, criando novas obras a partir das obras originais. Hoje, a fonte de inspiração será Wolfgang Amadeus Mozart.

Johann Nepomuk Hummel

Hummel nasceu em 1778, e era 22 anos mais jovem. Mozart conheceu Hummel quando este tinha 8 anos de idade e ficou tão impressionado com seu talento que lhe ofereceu aulas de graça. O garoto foi morar no apartamento dos Mozart, e lá ficou por dois anos. Naquela época ainda era muito comum um artista abrigar um pupilo em sua casa.

Após deixar o convívio com Mozart, Hummel viajou muito, e teve aulas com alguns dos maiores professores daquele tempo. Depois fixou-se em Viena e tornou-se amigo do jovem Beethoven.

Tornou-se um dos mais estimados pianistas de seu tempo, mas como compositor ele não conseguiu aderir às novidades do romantismo nascente.

Abaixo você poderá ouvir dele a Pequena Fantasia sobre temas da ópera “As Bodas de Figaro”, de Mozart, opus 124. Apesar do título se referir a “temas” de Bodas de Figaro, sobressai um tema em particular, a aria “Non più andrai”.

No primeiro arquivo, você ouve a aria original, de Mozart; em seguida as variações de Hummel.

Fantasia em dó maior sobre Non più andrai, Op. 124

Muzio Clementi

Clementi  foi um dos maiores pianistas da Europa, e um grande inovador da técnica pianística. Era 4 anos mais velho que Mozart, e consequentemente muito mais velho que Hummel; mas diferente deste, não teve grandes dificuldades em dar os primeiros passos no novo estilo que nascia, o Romantismo.

A importância de Clementi na música para piano do final do século XVIII e começo do XIX foi muito grande, e algo que pode atestar isso é a frase que ouvi certa vez do pianista Eduardo Monteiro: “Beethoven andava com as partituras de Clementi debaixo do braço”.

Abaixo, a aria “Batti, batti, o bel Masetto”, da ópera “As Bodas de Fígaro”, e em seguida a fantasia para piano composta por Clementi sobre essa aria.

Mozart – Don Giovanni, Ato I: Ária: Batti, batti, o bel Masetto, WoO 10
Mozart – Don Giovanni, Ato I: Ária: Batti, batti, o bel Masetto, WoO 10

Fernando Sor

Outros compositores daquela época que não conheceram Mozart pessoalmente também escreveram obras a partir de suas melodias, inclusive alguns que não eram pianistas. É o caso do guitarrista espanhol Fernando Sor, que viveu entre 1778 e 1839.

Sor deixou a Espanha aos 35 anos de idade, por razões políticas, e nunca mais voltou a seu país. Viveu em Londres e Moscou, radicando-se em Paris no final da vida. Assim como Clementi foi fundamental no desenvolvimento da técnica do piano, o mesmo pode-se dizer de Sor em relação ao violão. Levou o instrumento às salas da nobreza, e era profundamente admirado. No final da vida, alcançou um elevadíssimo grau artístico. Suas obras eram consideradas por demais sofisticadas; o público queria dele obras simples e despretensiosas, o que o aborrecia profundamente.

Uma de suas obras mais conhecida são as “Variações sobre um tema de Mozart”, opus 9. O tema recolhido por Sor faz parte do final do 1º ato da ópera “A Flauta Mágica”.

Variações de Fernando Sor sobre um tema de Mozart

Tema e Variações e Fantasia

Ao contrário do que aconteceu com J S Bach, por exemplo, cuja obra foi praticamente esquecida após sua morte, a música de Mozart tornava-se cada vez mais admirada no século XIX. Compositores distantes da Viena onde Mozart viveu, e que nasceram muito mais tarde continuaram a escrever variações e fantasias a partir das melodias Mozartianas.

Aliás, talvez este seja um bom momento para explicar a diferença entre Tema e Variações e Fantasia.

No tema e variações a estrutura original, ou o esqueleto, da melodia é mantido. O compositor pode ornamentar a melodia, acrescentando muitas notas; pode fazer o contrário, eliminando notas de modo a simplificá-la; pode mudar alguns acordes, o ritmo, etc, mas a o esqueleto está lá, preservado.

Isso é muito fácil de perceber: as variações são claramente separadas por pausas; ouvindo com atenção, podemos ir comparando uma com outra e isso nos mostra essa “estrutura” que se mantém.

Já numa fantasia, o compositor desmonta esse esqueleto, podendo montar as suas as peças de outro jeito. Por exemplo: começar tocando um trecho final da melodia, em seguida o começo dela e depois a parte central.

Mikhail Glinka e Pablo de Sarasate

Nas próximas duas obras nós teremos exemplos de tudo isso que eu acabei de falar: são dois compositores distantes de Mozart no tempo e no espaço: o primeiro é o russo Mikhail Glinka, que viveu entre 1804 e 1857; e o segundo é o espanhol Pablo de Sarasate, que viveu entre 1844 e 1908.

De Glinka temos as Variações sobre um tema de Mozart em mi bemol maior, para harpa. E de Sarasate teremos a Fantasia de Concerto sobre temas da Flauta Mágica, de Mozart, para violino e orquestra.

Variações sobre um tema de Mozart
Fantasia de concerto sobre A Flauta Mágica, de Mozart, Op. 54

Ouvimos um pouquinho do imenso repertório criado por diversos compositores a partir de melodias de Mozart. Um repertório que envolve compositores de várias épocas, lugares e estilos diversos.

Espero que tenha gostado deste post!

E aqui vai uma sugestão de livro para que continue aprendendo mais sobre Mozart!

Clique na imagem acima, e você irá para o site da Amazon Brasil, onde poderá ter mais informações.

Ah, e não vá embora sem antes deixar um comentário!

Saudações Musicais!

Siga-nos! Dê seu like! Compartilhe! E Obrigado!!!
error
fb-share-icon

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *