Natan Schwartzman

Vamos conhecer a vida e o trabalho de um dos mais notáveis violinistas brasileiros: o fluminense Natan Schwartzman.

Natan nasceu em Niterói em 1930, e iniciou seus estudos ao violino com Paulina d’Ambrósio, violinista carioca importantíssima, responsável pela formação de toda uma geração de violinistas brasileiros.

Em seguida Natan Schwartzman transferiu-se para São Paulo e estudou no Conservatório Dramático e Musical da capital.

Concluído o curso, foi para Nova Iorque, para estudar na Juilliard School, uma das mais importantes escolas de música do mundo. Lá Schwartzman tornou-se spalla da orquestra da escola, realizou diversos recitais. Formou-se em 1951, com apenas 21 anos de idade.

Início

Juilliard School

Em 1952 Natan retornou ao Brasil, e iniciou uma carreira brilhante. Apresentou-se em recitais em nada menos que 90 cidades brasileiras, e em 1953, com 23 anos, venceu o concurso para spalla de uma recém-criada orquestra: a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.

Em 1957 Natan iniciou uma nova temporada de estudos: conquistou uma bolsa para estudar em Londres com um dos mais importantes professores europeus de então, o alemão Max Rostal.

Max Rostal

Rostal foi responsável pela formação de muitos dos mais importantes violinistas brasileiros. Vou citar alguns: a professora Maria Vischnia, que foi primeira violinista do Quarteto de Cordas Cidade de São Paulo, e spalla da Orquestra Brasi Jazz Sinfônica; o professor Paulo Bosísio, que se dedica há décadas à formação de jovens violinistas e violistas brasileiros; o professor Alberto Jaffé, criador do primeiro método de ensino de cordas através de prática em grupo em nosso país.

Em 1985, Max Rostal esteve no Brasil, em Curitiba, onde realizou uma série de aulas assistidas, ou master classes, que eu tive o privilégio de frequentar. E lembro dele ter dito que durante os muitos anos que lecionou na Europa recebeu centenas, senão milhares de alunos, e que se tivesse de citar os mais talentosos deles, não se esqueceria de modo algum do brasileiro Natan Schwartzman.

Carreira Internacional

Em 1958 Natan Schwartzman estava em Londres, estudando com Max Rostal fazia um ano, quando foi contratado pela Companhia de Radiodifusão Inglesa – a BBC como solista e recitalista. Dois anos depois voltou ao Brasil – tinha 30 anos, e uma notável experiência internacional.

A partir de então fixou-se por aqui, mas teve outras oportunidades de apresentar-se no exterior. Em 1966 realizou uma extensa turnê pelos Estados Unidos, e em 1978 realizou, sob o patrocínio do Itamarati uma turnê pela Europa acompanhado por outro brilhante músico brasileiro, o pianista Fernando Lopes.

As apresentações no Brasil também aconteciam. Em 1973 fez o recital de inauguração do Teatro Municipal de Santos, e em 1983 realizou mais uma turnê pelo Brasil, desta vez em 18 cidades, acompanhado pelo pianista Achille Picchi. A turnê tinha como tema o mais difícil repertório violinístico: a obra de Paganini.

Abaixo está um dos poucos vídeos em que podemos ver este grande violinista, acompanhado ao piano pela tamb´ém grande Eudóxia de Barros.

Eudoxia de Barros (1991) & N. Schwartzman – O. Lacerda: Acalanto Pentafonico

Reconhecimento

Natan Schwartzman recebeu muitos prêmios e homenagens no Brasil. Em 1960 venceu, por unanimidade, o concurso para violino organizado pela Comissão Estadual de Música de São Paulo. Em 1964 seu disco Recital de Peças Brasileiras recebeu da APCT o prêmio de melhor gravação de música brasileira. Em 1975 e 1980 recebeu o prêmio de melhor solista da APCA.

Além de tudo isso, Natan Schwartzman dedicou-se muito ao ensino. Foi o primeiro professor de violino do Departamento de Música da Universidade de Brasília, em 1964; de 1971 até 1992 foi professor de violino do Instituto de Arte da Universidade de Campinas; e foi também professor de violino do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da USP.

Eudoxia de Barros (1991) & N. Schwartzman – Viana de Almeida: Seresta a Brasileira

Homenagem

Natan Schwartzman foi um dos mais talentosos, mais bem preparados e mais atuantes violinistas brasileiros por muitas décadas. Além de sua atuação internacional, tocou acompanhado por muitas orquestras brasileiras, sendo convidado com frequência pelos nossos mais destacados regentes, como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Roberto Schnorrenberg, Souza Lima e Cláudio Santoro.

Em 1990, Unicamp e a Orquestra Sinfônica de Campinas, dirigida pelo maestro Benito Juarez, homenagearam seus 60 anos com um concerto de gala, em que ele atuou como solista. Morreu em São Paulo, aos 90 anos, em 2020.

Merece ser lembrado desde já. Que lhe sejam rendidas homenagens sempre, por tudo que fez pela música deste país.

Natan Schwartzman e Fernando Lopes | Vivaldi, Franck, Brahms (Petrópolis, 1976)

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6 comentários em “Natan Schwartzman”

  1. Boa tarde, Maestro Galindo!
    Sempre um prazer acompanhar seus excelentes programas na Cultura, q ouço diariamente! E esse post não poderia ser diferente! Tb adorei seu livro sobre Beethoven!
    Obrigada por compartilhar seu conhecimento, tão profundo, mas com tanta leveza e alegria!
    Bom fim de ano e q 2026 lhe traga muita saúde, paz e felicidade!

  2. É sempre muito gratificante ouvir músicas de alta qualidade e ao mesmo tempo ler os abalizados ensinamentos que o Mestre Galindo nos proporciona. Obrigado, Maestro.

  3. Obrigado pelo artigo, Maestro.Tive o privilégio de assistir a um concerto na Hebraica, em 1958, que comemorava os 10 anos da fundação de Israel. Esse grande violinista tocou Introdução e Rondô Caprichoso, de Saint Saens. Eu tinha 16 anos, na época… o Natan Schwarzman teve também um programa, na Radio Cultura FM, nos últimos anos de sua vida.

  4. Belíssima homenagem, maestro. A escolha da seresta foi perfeita. Natan e Eudóxia, não necessariamente nesta ordem, dois gigantes da música erudita. Obrigado.

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