
Hoje vamos conhecer um pouco da vida e obra de um grande pianista brasileiro: Flávio Varani. Varani foi uma criança precoce: começou a estudar piano ainda muito pequeno, e deu seu primeiro recital aos 7 anos de idade. Com apenas 8 tocou com uma orquestra, a Sinfônica Brasileira, sob a regência do notável maestro Eleazar de Carvalho.
Com treze aos mudou-se para Paris, onde foi estudar com Magda Tagliaferro, uma das maiores pianistas brasileiras e do mundo. Seu primeiro concerto após tornar-se aluno de Magda foi dedicado a obras de Heitor Villa-Lobos, compositor em quem ele se tornaria especialista.
A prova disso é um belíssimo CD gravado em 1997, todo dedicado a peças de Villa-Lobos. Deu ao CD o título de “Cartas da Posteridade”. Este título vem de uma frase escrita certa vez pelo próprio punho do compositor, que diz:
“Considero minhas obras como cartas que escrevi à posteridade, sem esperar resposta.”
“Danças Africanas”
As Danças Africanas foram compostas entre 1914 e 1915, quando o compositor não tinha ainda chegado aos trinta anos de idade. Muitos consideram essa a sua fase mais criativa.
Segundo o estudioso Vasco Mariz, Villa teve a ideia de escrever essas peças após assistir uma dança de negros em Barbados. Contudo ele não usou os ritos e melodias que ouviu a ocasião; preferiu usar elementos dos índios caripunas, do Mato Grosso, que, acredita-se, são mestiços de índios e africanos. São três danças com os seguintes títulos: Farrapos, Kankukús e Kankikís.
Estas peças estão gravadas no CD “Cartas à Posteridade”, todo dedicado a obras de Villa-Lobos. E faltou dizer que este CD é um marco na carreira de Varani. Graças a este trabalho ele recebeu o prémio de “Melhor CD de Música Clássica” nos anos de 1999, o “Detroit Music Awards”.
“Bachianas Brasileiras nº 4”
O crítico Allen Linkowsk, do American Record Guide, em novembro de 1998, não mediu palavras ao elogiar a gravação. São essas suas palavras:
“Eu aconselho a todos que adicionem esta enobrecedora gravação a sua coleção de CDs. É estupenda”.
E acrescenta:
“As dificuldades técnicas da obra de Villa Lobos são estarrecedoras.”
Diz ainda, especificamente em relação às “Bachianas Brasileiras nº 4”:
“Fiquei admirado com a energia cinética do pianismo que Flávio Varani nos oferece nesta peça. A eletricidade que ele gera é incrível. Faíscas voam de cada nota. Ele é um mestre indiscutível de seu instrumento. Possui controle técnico e uma grande sensibilidade para todos os aspectos da rica tapeçaria musical que Villa-Lobos nos legou.”
Esta obra é pouco tocada em sua versão integral. Ouve-se muito o seu prelúdio, que contém uma das mais conhecidas melodias de Villa-Lobos, e ouve-se pouco os outros três movimentos, que são igualmente encantadores.
Clicando n link abaixo, o leitor poderá ouvir os 4 movimentos que compõem a magistral “Bachianas Brasileiras nº 4”: Prelúdio, Coral, ou canto do sertão, Aria e Dança.
Repertório Abrangente
Além de Villa-Lobos, Varani tem se dedicado com afinco a outros compositores do século XX. Alguns bem conhecidos, como George Gershwin e Aaron Copland, outros nem tanto, e cujo trabalho ajuda a divulgar. Por exemplo o francês Paul Paray e o norte americano Stanley Hollingsworth.
Em 2005 Varani lançou um álbum duplo com a primeira gravação mundial da obra completa para piano de Paul Paray, incluindo uma Fantasia para piano e Orquestra em que é acompanhado pela Orquestra Sinfônica de Detroit.
Francis Poulenc

Outro compositor do século XX que recebeu especial atenção de Varani foi Francis Poulenc. Em 2004 Varani gravou mais um belíssimo CD, desta vez todo dedicado a este compositor francês, que viveu entre 1899 e 1963. Poulenc é considerado um grande mestre da música vocal e de câmara, mas suas peças para piano solo não são tão conhecidas.
Apesar de ser um pianista virtuoso, o próprio compositor era um tanto inseguro em relação à qualidade de sua obra pianística. Aliás, uma atitude comum a grandes compositores como Brahms ou Paul Dukas, que chegaram a destruir muitas partituras que consideravam indignas de serem divulgadas. Mas no caso de Poulenc, esta dúvida não merece ser levada a sério. Sua obra para piano possui verdadeiras preciosidades, como seus noturnos.
Estudos

Depois de estudar em Paris com Magda Tagliaferro, Varani, então com 20 anos de idade, foi para os Estados Unidos, onde viveu por décadas.
Estudou em grandes escolas, como a Juilliard School of Music e a Manhattan School of Music, com grandes mestres. Conquistou importantes prêmios, como o primeiro lugar no Concurso Internacional Chopin, em Mallorca, que impulsionou sua carreira internacional.
Frédéric Chopin
Como vimos, dedicou-se muito a Villa-Lobos, bem como a compositores do século XX. Mas como todo grande pianista herdeiro da tradição francesa, não deixaria de reservar espaço em seu repertório para aquele pianista que se não foi francês viveu em Paris e ajudou a fazer dessa cidade uma das capitais musicais do mundo: Frédéric Chopin.
Espero que tenha gostado deste post!
E aqui vai uma sugestão de CD para que continue ouvindo Flávio Varani!

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Saudações Musicais!