Clélia Iruzun & Ernesto Lecuona

Caro leitor, hoje vamos conhecer um pouco do trabalho de uma admirável pianista brasileira, que por viver já há muito tempo na Europa, é pouco conhecida por nós. Estou falando de Clélia Iruzun.

Eu conheci Clélia há alguns anos num concerto em São Paulo, onde participei como comentarista. Na ocasião fiquei encantado com sua musicalidade, fluência, e com sua capacidade de fazer o piano cantar.

Estudos

Clélia começou a estudar piano no Rio de Janeiro, quando tinha quatro anos de idade, e ainda muito jovem se transferiu para Londres, cidade onde vive até hoje.

Clélia continuou seus estudos na Inglaterra na Royal Academy of Music, e mais tarde em Paris, com a professora Mercês de Silva Telles, que havia sido aluna do grande pianista Claudio Arrau.

No início de sua carreira Clélia recebeu apoio de dois dos maiores pianistas brasileiros: Jacques Klein e Nélson Freire, bem como do norte americano Stephen Kovacevich.

Destaque no Brasil

E no Brasil, Clélia chamou a atenção de figuras musicais da maior importância, como o compositor Francisco Mignone, que chegou a escrever uma obra dedicada a ela. Anos mais tarde Clélia viria a gravar um CD só com obras deste grande compositor brasileiro.

Além das obras de Francisco Mignone, Clélia tem gravadas obras de e Villa-Lobos e Mendelssohn.

Concerto nº 1 para piano e orquestra – Feliz Mendelssohn

Ernesto Lecuona

Um CD gravado em 2005 por Clélia chamou minha atenção, por ser dedicado a um compositor muito interessante, e que é quase desconhecido no Brasil: o cubano Ernesto Lecuona.

Lecuona foi provavelmente o mais importante músico cubano da primeira metade do século XX. Nasceu em 1895 nos subúrbios de Havana e teve suas primeiras aulas com sua irmã Ernestina. Aos cinco anos ele já dava seus primeiros recitais, e aos 12 já escrevia suas primeiras composições. Também nessa época trabalhava como pianistas de cinema mudo em Havana.

Antes dos 18 anos de idade Ernesto Lecuona formou-se no Conservatório Nacional de Cuba, ganhando uma medalha de ouro em performance por unanimidade dos jurados que compunham a banca de avaliação. Isso, antes de completar 18 anos de idade.

Carreira Internacional

Logo em seguida Ernesto Lecuona iniciava sua carreira internacional com uma apresentação em Nova Iorque.

Ainda antes da 2ª guerra mundial Lecuona viria a fundar a Orquestra Sinfônica de Havana, junto com o compositor e regente Gonzalo Roig. Então chegou o momento em sua carreira em que Lecuona passou a se interessar pela música popular de seu país.

Fundou um grupo chamado Orquestra Cubana, que fez enorme sucesso. Sendo convidada para excursionar pelos Estados Unidos, a Orquestra Cubana teve seu nome trocado para Lecuona Cuban Boys. Tornou-se um grande sucesso internacional e excursionou também pela América do Sul e Europa. O grupo tocava arranjos de danças populares cubanas como congas e rumbas, e chegou a fazer gravações com a cantora Josephine Baker.

Lecuona tornou-se um artista consagrado internacionalmente e radicou-se em Nova Iorque. Faleceu em 1963, nas ilhas Canárias, com 68 anos de idade, durante um período de férias.

Legado

A obra de Lecuona compreende várias zarzuelas, 30 obras sinfônicas, incluindo três para piano e orquestra, 11 trilhas sonoras de filmes, 406 canções, e 176 peças para piano solo, que representam uma significativa contribuição para o repertório do instrumento. Entre as mais famosas está a Suíte Andalucia, composta em 1927, dividida em 6 movimentos: Córdoba, Andalucia, Alhambra, Gitanerias, Guadalquivir e Malagueña.

Lecuona: “Andalucía” (Clélia Iruzun)

Danças Afrocubanas

Andalucia é uma obra que se situa no universo da música erudita espanhola. Mas a obra de Lecuona compreende também um repertório inspirado na música popular cubana. Vale a pena conhecermos sua suíte intitulada Danças Afrocubanas, também formada por seis peças: La Conga de Media Noche, Danza Negra!, Y la negra bailaba!, Danza de los ñañigos, Danza Lucumí e la Comparsa.

Ñañigos é o nome que se dava aos que praticavam os cultos de uma religião chamada Abakua; e Lucumí eram os que participavam do culto chamado Santeria. Abaixo, essa obra com Clélia Iruzun.

Danzas Afro-Cubanas – Danza de los ñañigos

Espero que tenha gostado deste post!

E aqui vai uma sugestão de CD para que continue ouvindo Lecuona pelas mãos de Clélia!

Clique na imagem acima, e você irá para o site da Amazon Brasil, onde poderá ter mais informações.

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Saudações Musicais!

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5 comentários em “Clélia Iruzun & Ernesto Lecuona”

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